Em meio à paisagem marcada pela erosão e pelas ruínas deixadas pelo avanço do mar, Atafona se transforma todos os anos em um cenário de devoção, esperança e festa. A tradicional Festa de Nossa Senhora da Penha, padroeira de Atafona, é mais do que uma celebração religiosa: é um grito de fé de um povo que, mesmo diante da destruição, não perde a alma nem as raízes.
A cada edição, milhares de fiéis se reúnem no pequeno distrito de São João da Barra para homenagear a santa que há séculos protege os pescadores e as famílias da região. A imagem da padroeira é conduzida em procissão pelas ruas de Atafona — ruas que, em parte, já não existem, tomadas pelo mar. E é justamente aí que a festa ganha ainda mais significado.
🌊 Fé que flutua sobre as águas
Um dos momentos mais emocionantes da festa é a procissão marítima, quando embarcações enfeitadas com flores, bandeiras e imagens da santa percorrem o rio e o mar em um espetáculo de fé e beleza. “A gente tem fé que Nossa Senhora está conosco, mesmo quando tudo parece desmoronar. O mar levou casas, mas não levou nossa esperança”, conta Seu Nivaldo, pescador e devoto há mais de 40 anos.
A barulheira das buzinas, o som dos fogos, o canto das ladainhas e o brilho das velas refletem nas águas, criando uma atmosfera quase mágica. São famílias inteiras, gerações unidas em torno de uma devoção que resiste ao tempo e às perdas.
🎭 Tradição, cultura e resistência
Além da parte religiosa, a Festa da Penha é também um grande encontro cultural. A programação inclui shows, barraquinhas, apresentações folclóricas, leilões e missas campais que lotam a praça da igreja. A celebração movimenta o turismo local, aquece o comércio e fortalece os laços comunitários.
Mas para os moradores, o evento é mais do que uma festa — é uma forma de reafirmar a identidade de um povo que se recusa a desaparecer. “É como se a gente gritasse pro mundo: Atafona ainda está viva!”, diz dona Lúcia, que participa da organização do festejo há mais de três décadas.
✨ Uma promessa que atravessa gerações
A origem da devoção remonta aos tempos coloniais, quando pescadores teriam sido salvos de uma forte tempestade após clamarem à Virgem da Penha. Desde então, a promessa se renovou a cada geração. E hoje, mesmo com a igreja parcialmente ameaçada pelo avanço do mar, a fé segue intacta — talvez até mais forte.
Para quem participa, seja por devoção ou curiosidade, a Festa de Nossa Senhora da Penha é uma experiência transformadora. É impossível não se emocionar diante de tanta beleza, coragem e espiritualidade.